Dor de Cabeça

Procedimentos de Intervenção em Dor


Quando a dor de cabeça deixa de ser comum e precisa de avaliação especializada

Dores de cabeça ocasionais são comuns, mas quando passam a interferir na rotina, tornam-se mais intensas, surgem com frequência crescente ou não melhoram com medicamentos simples, isso indica que o quadro precisa ser investigado com mais profundidade.


A dor pode se apresentar como pressão, peso, pulsação, pontadas ou sensação elétrica, e cada padrão aponta para causas diferentes que precisam ser identificadas corretamente. É importante avaliar quando:

  • As crises acontecem mais de duas vezes por semana.
  • A dor é tão forte que impede atividades simples.
  • A crise vem acompanhada de náuseas, tonturas ou sensibilidade à luz.
  • A dor surge após um trauma, cirurgia ou esforço intenso.
  • Os remédios já não funcionam ou você depende deles todos os dias.
  • Há dor que começa no pescoço e irradia para a cabeça.
  • Dor persistente diária, com uso de múltiplos analgésicos, sem efeito considerável.


Muitos pacientes convivem com dor por anos porque nunca tiveram uma investigação detalhada, ou um tratamento estruturado. Identificar a origem é o primeiro passo para escolher o tratamento certo e reduzir a frequência e intensidade das crises.

Tipos de dor de cabeça e como reconhecer cada um


Entender o tipo de dor é fundamental para escolher o tratamento adequado. Entre os mais frequentes estão:

  • Enxaqueca

    Crises de dor de cabeça forte, pulsátil e incapacitante, que podem durar horas ou até dias. É comum que a dor venha acompanhada de náusea, sensibilidade à luz, aos ruídos e aos cheiros, impactando significativamente a rotina e a qualidade de vida. Cerca de 15% da população sofre com enxaqueca, mas muitas pessoas não sabem que existem tratamentos preventivos e intervencionistas capazes de reduzir de forma significativa a frequência e a intensidade das crises.


    Esse é um dos tipos de dor de cabeça que exige um tratamento mais estruturado, envolvendo: Prevenção adequada, Controle precoce das crises, Estratégias individualizadas para cada paciente. Com acompanhamento médico especializado, é possível retomar atividades do dia a dia com mais conforto e segurança.

  • Cefaleia tensional

    Provoca uma sensação de aperto ou peso na cabeça, frequentemente ligada a estresse, problemas posturais ou tensão muscular nos ombros e pescoço. O tratamento pode envolver uma abordagem combinada, que inclui medicações e/ou bloqueios para dor, associados a correção postural, reabilitação física e mudanças no dia a dia. Essa estratégia integrada costuma apresentar excelentes resultados, reduzindo a frequência e a intensidade das crises.

  • Cefaleia cervicogênica

    Origina-se na coluna cervical, geralmente devido a contraturas, hérnias ou desalinhamentos. A dor sobe para a cabeça e piora com movimentos do pescoço.

  • Nevralgia occipital / Neuralgia occipital

    Dor em pontadas ou choques na parte de trás da cabeça, muitas vezes causada por irritação do nervo occipital. É comum em quem tem contraturas crônicas ou sofreu impactos na região.

  • Cefaleias pós-trauma ou pós-cirurgia

    Acontecem quando há irritação nervosa ou alteração muscular após quedas, acidentes ou procedimentos.

Cada tipo exige uma abordagem específica e, muitas vezes, tratamentos tradicionais falham porque não foram direcionados ao mecanismo correto da dor.

Como é feita a avaliação para identificar a causa da dor de cabeça

A avaliação começa com uma investigação minuciosa do padrão da dor, porque o comportamento das crises revela pistas importantes sobre sua origem. O especialista analisa:

  • Localização exata da dor.
  • Tipo de sensação (pulsátil, pressão, choque, queimação).
  • Frequência e duração das crises.
  • Gatilhos desencadeantes como estresse, sono ruim, esforço físico ou tensão cervical.
  • Alterações posturais ou musculares.
  • Histórico de traumas, cirurgias ou doenças associadas.

Em muitos casos, também podem ser solicitados exames como ressonância magnética, tomografia, exames de sangue ou testes de condução dos nervos para descartar causas estruturais e identificar inflamações, compressões ou disfunções neurológicas.

Esse processo permite diferenciar dores comuns de cefaleias que exigem intervenções e cuidados mais específicos. E quanto mais preciso o diagnóstico, melhores os resultados do tratamento.

Principais procedimentos utilizados no tratamento da dor de cabeça

Quando os remédios deixam de funcionar, existem procedimentos minimamente invasivos que podem trazer alívio mais efetivo e duradouro. Entre os mais utilizados estão:


Bloqueio do nervo occipital
Indicado para enxaqueca crônica, nevralgia occipital, cefaleia cervicogênica e dores que irradiam do pescoço para a cabeça.


Bloqueio dos nervos supraorbital e supratroclear
Eficaz para dores frontais, enxaquecas severas e dores persistentes após trauma.


Toxina botulínica para enxaqueca crônica
Uma opção eficaz no tratamento da enxaqueca crônica e de alguns outros tipos de dor de cabeça, atuando na redução da hiperatividade muscular e da ativação excessiva dos nervos envolvidos na dor.


Esse tratamento é indicado principalmente para:

  • Pacientes com mais de 15 dias de dor de cabeça por mês
  • Pessoas que não toleram bem medicações orais ou apresentam efeitos colaterais
  • Casos em que os tratamentos convencionais não foram suficientes

Quando bem indicada, a toxina botulínica pode reduzir a frequência e a intensidade das crises, contribuindo para uma melhora significativa da qualidade de vida. 


Radiofrequência dos nervos occipitais

Técnica que modula a dor por períodos mais longos, ideal para casos resistentes ao bloqueio simples.


Infiltrações em pontos gatilho musculares
Auxiliam quando a dor tem origem em contraturas profundas no pescoço e ombros.

Esses procedimentos tratam diretamente a fonte da dor e podem reduzir a necessidade de medicamentos.

Como é feito o procedimento e o que esperar após a intervenção

Alguns procedimentos para tratamento da dor são realizados de forma rápida, em regime ambulatorial/consultório, com anestesia local. Durante todo o processo, o paciente permanece acordado e confortável.


A aplicação é feita com agulhas finas, guiadas com precisão até o nervo ou a estrutura responsável pela dor. Para aumentar a segurança e a precisão, utilizamos a ultrassonografia, que permite visualizar as estruturas em tempo real. O tempo médio do procedimento varia entre 10 e 20 minutos, e o paciente pode retornar para casa logo em seguida.


É comum sentir uma leve sensibilidade no local por algumas horas, mas a maioria das pessoas consegue retomar atividades leves no mesmo dia.


outros procedimentos que envolvem técnicas específicas e avançadas, como a rizotomia, precisam ser realizados em ambiente hospitalar, no modelo de hospital-dia. Nesses casos, é utilizada uma sedação ou anestesia leve, proporcionando mais conforto ao paciente durante o procedimento. A alta ocorre no mesmo turno ou, no máximo, no mesmo dia, sem necessidade de internação prolongada.


O alívio da dor pode surgir de forma imediata ou progressiva, dependendo da técnica utilizada e da resposta individual. Em procedimentos como radiofrequência ou toxina botulínica, a melhora costuma aparecer nos primeiros dias, com resultados que podem se manter por semanas ou meses.

Benefícios no tratamento e quando buscar ajuda

Os pacientes que realizam esses procedimentos relatam:

  • Redução significativa da intensidade e frequência das crises.
  • Menor dependência de analgésicos e anti-inflamatórios.
  • Retorno à rotina com mais leveza e menos interrupções causadas pela dor.
  • Recuperação do sono e da qualidade de vida.
  • Melhora do desempenho no trabalho e nas atividades diárias.

É recomendado buscar avaliação quando:

  • As dores começam a limitar sua rotina.
  • Os remédios param de funcionar.
  • A dor vem acompanhada de sensibilidade ao toque, náuseas ou tontura.
  • Há dor persistente após trauma, cirurgia ou esforço físico.
  • As crises se tornam mais frequentes ou fortes com o tempo.


Intervir cedo evita que a dor se torne crônica e reduz o risco de desenvolver quadros de difícil controle.

Sobre o médico

Dr. Anselmo Boa Sorte

O Dr. Anselmo Boa Sorte é neurocirurgião funcional especializado em neuromodulação, dor crônica, dor neuropática e transtornos do movimento , com atuação focada em tratamentos avançados que devolvem autonomia e qualidade de vida aos pacientes.


Formado pela 
UFBA, onde recebeu o Prêmio Manoel Vitorino como melhor aluno do curso de Medicina, realizou residência em Neurocirurgia no IAMSPE e especializações em Dor e Neurocirurgia Funcional para Parkinson e Distonias pelo Hospital das Clínicas da USP (HC-FMUSP), um dos principais centros de referência em neurociência  do país.


É pós-graduado em neuromodulação invasiva pela 
International Neuromodulation Society e membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área. Atua no Instituto Sentir e nos principais hospitais de Salvador-Bahia, utilizando tecnologias modernas como Estimulação Cerebral Profunda (DBS), Estimulação Medular, intervenções minimamente invasivas e procedimentos de alta precisão para dor refratária.


Atualmente é consultor em neuromodulação, com viagens, cirurgias e cursos realizados por todo país, principalmente na região nordeste.


Combinando ciência, tecnologia e cuidado humano, oferece uma abordagem personalizada, segura e ética para pacientes com Parkinson, distonias, tremores e dores crônicas de difícil controle.