DBS e Neurocirurgia Funcional
Estereotáxica
O que é?
A neurocirurgia funcional é uma subárea da neurocirurgia voltada ao tratamento de alterações do movimento, da dor e de circuitos cerebrais que funcionam de forma desregulada. Diferente das cirurgias tradicionais, ela tem como foco modular esses circuitos, melhorando sintomas que não respondem mais aos remédios.
Existem várias técnicas de alta precisão que compõe o escopo de tratamentos fornecidos na neurocirurgia funcional. Uma das principais técnicas usadas na neurocirurgia funcional é a ESTEREOTAXIA. Permite acessar regiões profundas do cérebro com precisão milimétrica, tornando possível a realização de procedimentos como a Estimulação Cerebral Profunda (DBS) com segurança e previsibilidade. É indicada especialmente para pacientes que já tentaram ajustes de medicação, fisioterapia, reabilitação e continuam com tremores, rigidez, movimentos involuntários ou dores neuropáticas incapacitantes.
O Dr. Anselmo atua com planejamento 3D de alta precisão, avaliação criteriosa e abordagem humanizada, sempre com foco em devolver autonomia e qualidade de vida ao paciente.
Quando a DBS é indicada no tratamento do Parkinson e distúrbios do movimento
A DBS (Deep Brain Stimulation - Estimulação Cerebral Profunda) se torna uma opção quando o tratamento medicamentoso já não controla os sintomas da forma necessária para manter a rotina e o dia-a-dia do paciente, ou quando o paciente vem precisando de muitas medicações, interferindo na qualidade de vida.
Ela é considerada para pessoas que apresentam:
- Tremores persistentes, mesmo com doses altas de medicação
- Rigidez e lentidão importantes, que dificultam atividades básicas
- Oscilações motoras (“on-off”) imprevisíveis
- Discinesias (movimentos involuntários) que atrapalham o dia a dia
- Boa resposta inicial à levodopa, mas com redução do efeito ao longo dos anos.
- Grande quantidade de medicações.
- Pacientes mais jovens (geralmente abaixo de 50–60 anos) e com muitos anos pela frente de evolução da doença.
- Pacientes com impacto importante dos sintoma na qualidade de vida (por exemplo, em trabalhos e de alta precisão)
O candidato ideal geralmente possui mais de 4 anos de doença, já teve boa resposta ao tratamento medicamentoso, e agora vive limitações que afetam autonomia, por conta da doença, ou pelo excesso de medicação.
Além do Parkinson, a DBS também é indicada para:
- Distonias
- Tremor essencial refratário
- Síndrome de Tourette
- Epilepsia
- Outros transtornos do movimento avaliados individualmente
Cada uma dessas condições possui critérios específicos de indicação, que levam em consideração não apenas o diagnóstico, mas principalmente o impacto da doença na qualidade de vida do paciente.
De forma geral, a DBS passa a ser considerada quando, mesmo com o tratamento clínico adequado, os sintomas continuam causando limitações importantes nas atividades diárias, no convívio social ou na autonomia do paciente. Nesses casos, a cirurgia pode ser avaliada como uma alternativa terapêutica, sempre após uma análise cuidadosa e personalizada.
Como funciona a Estimulação Cerebral Profunda (DBS)
A DBS age como um “marca-passo cerebral”, enviando estímulos elétricos leves para regiões profundas do cérebro que controlam o movimento.
Ela é formada por três componentes:
- Eletrodos finos, implantados com precisão milimétrica no alvo cerebral ideal
- Extensão, que conecta os eletrodos ao gerador
- Neuroestimulador/bateria, implantado abaixo da clavícula, responsável pela emissão dos impulsos
Esses estímulos estabilizam os sinais irregulares do cérebro, reduzindo os sintomas motores sem remover tecidos ou causar danos.
Os principais benefícios incluem:
- Redução acentuada de tremores
- Diminuição de rigidez e travamentos
- Melhora na fluidez dos movimentos
- Menor necessidade de medicação
- Redução das discinesias / movimentos involuntários
- Impacto direto na autonomia e rotina diária
Ajustes e programação da Estimulação Cerebral Profunda ao longo do tempo
À medida que a doença neurológica evolui, a programação da Estimulação Cerebral Profunda (DBS) pode ser reavaliada e ajustada periodicamente, com o objetivo de acompanhar essas mudanças e melhorar o controle dos sintomas ao longo do tempo.
Isso significa que a DBS não se limita ao ato cirúrgico. Mesmo após a cirurgia, trata-se de uma terapia contínua, personalizada e adaptável, que leva em consideração a progressão da doença, a resposta individual ao tratamento e o perfil clínico de cada paciente.
Os ajustes são realizados de forma cuidadosa (idealmente por um médico especializado em DBS e transtorno de movimento), buscando sempre o melhor equilíbrio entre controle dos sintomas e qualidade de vida, respeitando as particularidades de cada caso.
Etapas da avaliação pré-cirúrgica e planejamento estereotáxico
A indicação correta é fundamental para o sucesso da DBS. Por isso, o processo inclui diversas etapas:
- Consulta especializada completa, avaliando sintomas, flutuações motoras e impacto no dia a dia
- Teste de levodopa, que ajuda a prever a resposta à estimulação nos casos de doença de parkinson
- Avaliação neuropsicológica, garantindo segurança cognitiva e emocional
- Ressonância magnética de alta precisão, essencial para mapear o alvo cirúrgico
- Planejamento 3D estereotáxico, definindo trajetos seguros e pontos exatos do implante
O procedimento cirúrgico passo a passo e recuperação
A cirurgia de DBS é realizada em ambiente especializado, com tecnologia avançada e equipe experiente.
As principais etapas incluem:
- Implante dos eletrodos cerebrais, guiado por sistemas de navegação e imagens em alta resolução
- Implante do neuroestimulador abaixo da clavícula
- Internação curta, geralmente entre 48 e 72 horas
- Ativação e programação inicial do dispositivo após a cicatrização (em torno de 15 dias)
- Ajustes personalizados, feitos ao longo das semanas seguintes
A recuperação costuma ser rápida, com retorno gradual às atividades.
A maioria dos pacientes relata melhora logo após o implante (mesmo com eletrodo desligado), mas a melhora progressiva dos sintomas a partir da ativação e otimização da programação.
Resultados clínicos, benefícios e acompanhamento a longo prazo
A DBS oferece benefícios significativos para pacientes com Parkinson e distúrbios do movimento:
- Melhora expressiva dos sintomas motores
- Redução importante da rigidez e dos tremores
- Menos flutuações e travamentos
- Diminuição de discinesias
- Mais independência e segurança nas atividades diárias
- Melhora global da qualidade de vida
Os resultados são contínuos e duradouros, desde que acompanhados por um especialista. A terapia é ajustável, reversível e permite ao paciente conviver melhor com a doença mesmo após anos de evolução.
Para alcançar os melhores resultados possíveis, todas as etapas do tratamento devem ser conduzidas com rigor técnico e por um especialista experiente:
avaliação da indicação,
implante dos eletrodos e
programação do dispositivo. Procure sempre um profissional capacitado para acompanhar todo o processo.
Sobre o médico
Dr. Anselmo Boa Sorte
O Dr. Anselmo Boa Sorte é neurocirurgião funcional especializado em neuromodulação, dor crônica, dor neuropática e transtornos do movimento , com atuação focada em tratamentos avançados que devolvem autonomia e qualidade de vida aos pacientes.
Formado pela UFBA, onde recebeu o Prêmio Manoel Vitorino como melhor aluno do curso de Medicina, realizou residência em Neurocirurgia no IAMSPE e especializações em Dor e Neurocirurgia Funcional para Parkinson e Distonias pelo Hospital das Clínicas da USP (HC-FMUSP), um dos principais centros de referência em neurociência do país.
É pós-graduado em neuromodulação invasiva pela International Neuromodulation Society e membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área. Atua no Instituto Sentir e nos principais hospitais de Salvador-Bahia, utilizando tecnologias modernas como Estimulação Cerebral Profunda (DBS), Estimulação Medular, intervenções minimamente invasivas e procedimentos de alta precisão para dor refratária.
Atualmente é consultor em neuromodulação, com viagens, cirurgias e cursos realizados por todo país, principalmente na região nordeste.
Combinando ciência, tecnologia e cuidado humano, oferece uma abordagem personalizada, segura e ética para pacientes com Parkinson, distonias, tremores e dores crônicas de difícil controle.

