Doenças Neurológicas do Movimento


O que são os distúrbios do movimento e como eles afetam a vida do paciente

Os distúrbios do movimento são doenças neurológicas que alteram a forma como o corpo controla ações simples, comandos simples ou automáticas, como caminhar, escrever, segurar objetos, manter o equilíbrio ou realizar movimentos finos com as mãos. Eles ocorrem quando circuitos cerebrais que regulam o movimento deixam de funcionar adequadamente, levando a tremores, rigidez, lentidão, movimentos involuntários ou falhas de coordenação.


Esses sintomas podem parecer discretos no início, mas tendem a progredir ao longo do tempo, causando um impacto significativo no dia a dia. Aos poucos, a pessoa passa a se cansar com mais facilidade, perde força e firmeza nas mãos, apresenta dificuldade para iniciar movimentos e pode vivenciar episódios de travamento da marcha.


Com isso, tarefas antes simples começam a se tornar difíceis: atividades domésticas deixam de ser realizadas, a pessoa passa a evitar sair de casa por insegurança e pode desenvolver dores musculares secundárias ao esforço excessivo.


Também é muito comum surgir dificuldade para atividades básicas da rotina, como:

  • Segurar uma xícara ou copo
  • Tomar café ou água
  • Vestir-se
  • Pentear o cabelo
  • Escovar os dentes


Essas limitações, quando não tratadas corretamente, têm um impacto importante na qualidade de vida, na autoestima e na autonomia e na independência, reforçando a importância de uma avaliação médica precoce e de um plano de tratamento adequado.O diagnóstico especializado possibilita identificar a causa, avaliar a evolução e indicar terapias que podem controlar os sintomas e retardar a progressão da doença.

Doença de Parkinson: Sintomas, Evolução e Sinais de Alerta


A Doença de Parkinson é uma das principais causas de distúrbios do movimento. Resulta da diminuição de dopamina em áreas do cérebro responsáveis pelo controle do movimento, e de outras funções básicas do organismo. Os principais sinais incluem:

  • Tremor de repouso que começa em uma mão.
  • Lentidão para realizar movimentos simples.
  • Rigidez muscular, especialmente ao acordar.
  • Alterações da marcha, com passos curtos e arrasto dos pés.
  • Perda da expressão facial e voz mais baixa.
  • Instabilidade e quedas em fases mais avançadas.

Ao longo do tempo, muitos pacientes passam por oscilações motoras: momentos em que conseguem se movimentar bem e outros em que travam completamente. Há também discinesias, que são movimentos involuntários causados pelo uso prolongado de medicação associado à evolução da doença.


O ponto mais importante para o paciente saber é que existem várias etapas de tratamento. Quando a resposta às medicações começa a falhar, surgem tremores resistentes, rigidez intensa, flutuações imprevisíveis e limitações no dia a dia, esse é um dos principais  momentos de avaliar terapias avançadas, como a estimulação cerebral profunda (DBS), que podem controlar melhor os sintomas.

Por que a avaliação precoce para o DBS faz diferença?


Quanto mais cedo a avaliação especializada é realizada, maior tende a ser a eficácia do tratamento e melhores os resultados ao longo do tempo. Estudos científicos de alto impacto mostram que pacientes com cerca de 4 anos de evolução da doença já devem ser avaliados para a possibilidade de estimulação cerebral profunda, justamente para não perder o período em que os benefícios do procedimento são mais expressivos (EARLYSTIM Study Group – New England Journal of Medicine, 2013).


Muitas pessoas ainda acreditam que a cirurgia seja uma “última opção”, indicada apenas em fases muito avançadas da doença — o que não corresponde à realidade atual. O principal objetivo da cirurgia não é apenas controlar sintomas, mas sim preservar qualidade de vida, autonomia e independência funcional.


Por isso, quanto mais cedo o paciente é avaliado e corretamente indicado, mais tempo ele poderá usufruir dos benefícios do tratamento, além de reduzir o impacto da progressão da doença e a necessidade de múltiplas medicações ao longo dos anos.

Tremores, distonias e outros distúrbios do movimento

Além do Parkinson, vários outros distúrbios afetam o movimento e muitas vezes são confundidos entre si, o que atrasa o diagnóstico correto.


Tremor Essencial
Transtorno do movimento mais comum na população, muitas vezes confundido e tratado como Doença de Parkinson. Causa tremores em mãos, cabeça ou voz durante ações como comer ou escrever. É muito comum em adultos e idosos e pode ser significativo a ponto de limitar atividades básicas.


Distonias
Caracteriza se por contrações musculares involuntárias, que levam a torções, movimentos repetitivos, posturas anormais e, muitas vezes, dor. Podem afetar diferentes regiões do corpo, como:

  • Pescoço (torcicolo espasmódico)
  • Pálpebras (blefaroespasmo)
  • Mãos e braços, interferindo em atividades do dia a dia


Em muitos casos, as distonias são tratáveis, especialmente com o uso de toxina botulínica associada a terapias específicas, o que pode reduzir significativamente os sintomas e melhorar a qualidade de vida.


Nos casos mais complexos, deve-se haver uma avaliação precoce para tratamentos avançados, como a estimulação cerebral profunda (DBS), é fundamental. Estudos mostram que quanto mais cedo o paciente é avaliado e corretamente indicado, maiores tendem a ser os benefícios, com melhor controle dos sintomas e menor progressão funcional da doença. Quando a indicação ocorre de forma tardia, os resultados costumam ser menos satisfatórios.


Reconhecer o padrão de cada um desses distúrbios é essencial para indicar o tratamento mais eficaz.

Como é feito o diagnóstico das doenças do movimento

O diagnóstico exige atenção cuidadosa aos sintomas e padrão do transtorno, pois muitos distúrbios do movimento se parecem, mas têm causas e tratamentos totalmente diferentes.


A avaliação inclui:

  • Exame neurológico focado em marcha, equilíbrio e coordenação.
  • Observação de tremores em repouso e em movimento.
  • Teste de velocidade dos gestos e precisão motora.
  • Avaliação de postura, rigidez e movimentos involuntários.
  • Histórico detalhado de evolução dos sintomas.
  • Resposta a medicações específicas, como levodopa.



Em alguns casos, podem ser solicitados:

  • Ressonância magnética para descartar lesões estruturais.
  • Exames genéticos quando há suspeita de doenças hereditárias.
  • Testes laboratoriais para investigar causas secundárias.
  • Vídeo análise da marcha e dos movimentos.
  • Teste genéticos

O objetivo é garantir um diagnóstico preciso, evitando tratamentos inadequados e direcionando o paciente para as terapias mais eficazes de forma rápida.

Tratamentos clínicos e intervencionistas para distúrbios do movimento

O tratamento é individualizado e depende do tipo de distúrbio, da intensidade dos sintomas e da resposta às terapias iniciais. As principais opções incluem:


Medicações específicas
Auxiliam no controle dos tremores, rigidez e lentidão. As doses precisam ser ajustadas conforme a evolução do quadro.


Toxina botulínica
Indicação eficaz para distonias, espasmos musculares, tremores focais e dores associadas. Age de forma localizada e com ótimos resultados.


Fisioterapia neurológica e terapia ocupacional
Melhoram equilíbrio, marcha, coordenação, força e autonomia. Fazem parte do cuidado de longo prazo. Essencial para controle dos impactos da progressão.


Bloqueios periféricos
Auxiliam no controle de dores neuropáticas e espasmos relacionados ao movimento.


Estimulação Cerebral Profunda (DBS)
Terapia avançada indicada para casos de Parkinson em que a medicação já não controla bem os sintomas, tremor essencial resistente e distonias específicas. A DBS modula circuitos cerebrais que estão alterados e oferece melhora significativa da qualidade de vida.


O tratamento adequado busca recuperar a funcionalidade, reduzir limitações e devolver segurança ao paciente.

Quando procurar avaliação e como o tratamento pode transformar a rotina

Os distúrbios do movimento tendem a piorar com o tempo quando não tratados corretamente. Por isso, é importante procurar avaliação especializada quando:

  • A escrita se altera ou a letra diminui progressivamente.
  • Há tremores que atrapalham atividades simples.
  • Surgem travamentos ou dificuldade para iniciar movimentos.
  • A marcha fica lenta, arrastada ou insegura.
  • A rigidez aumenta ao acordar ou após repouso.
  • Os medicamentos deixam de funcionar como antes.
  • Há dor associada ao esforço para se movimentar.

Com o tratamento certo, muitos pacientes conseguem recuperar autonomia, melhorar a fluidez dos movimentos, reduzir tremores, caminhar com mais segurança e retomar atividades que antes pareciam impossíveis.



A intervenção precoce faz diferença direta na evolução, no controle dos sintomas e na qualidade de vida.

Sobre o médico

Dr. Anselmo Boa Sorte

O Dr. Anselmo Boa Sorte é neurocirurgião funcional especializado em neuromodulação, dor crônica, dor neuropática e transtornos do movimento , com atuação focada em tratamentos avançados que devolvem autonomia e qualidade de vida aos pacientes.


Formado pela 
UFBA, onde recebeu o Prêmio Manoel Vitorino como melhor aluno do curso de Medicina, realizou residência em Neurocirurgia no IAMSPE e especializações em Dor e Neurocirurgia Funcional para Parkinson e Distonias pelo Hospital das Clínicas da USP (HC-FMUSP), um dos principais centros de referência em neurociência  do país.


É pós-graduado em neuromodulação invasiva pela 
International Neuromodulation Society e membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área. Atua no Instituto Sentir e nos principais hospitais de Salvador-Bahia, utilizando tecnologias modernas como Estimulação Cerebral Profunda (DBS), Estimulação Medular, intervenções minimamente invasivas e procedimentos de alta precisão para dor refratária.


Atualmente é consultor em neuromodulação, com viagens, cirurgias e cursos realizados por todo país, principalmente na região nordeste.


Combinando ciência, tecnologia e cuidado humano, oferece uma abordagem personalizada, segura e ética para pacientes com Parkinson, distonias, tremores e dores crônicas de difícil controle.